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Grita Mulher

Um manifesto em forma de samba que resgata a trajetória histórica de silenciamento e violência contra as mulheres para, em seguida, clamar por um pacto coletivo de transformação. Embalada pelo calor e pela comunhão de uma legítima roda de samba de quintal, a faixa convida toda a sociedade a se unir em um único cordão, transformando o grito sufocado de ontem em uma construção conjunta de justiça, igualdade e paz.

Bastidores: "Grita Mulher" nasceu de uma necessidade profunda de alinhamento com a justiça histórica e de acolhimento à urgência da causa feminina. Mesmo ciente do lugar de fala do compositor, a urgência de denunciar as mordaças estruturais e a violência contínua que ferem a dignidade das mulheres se impôs como um imperativo criativo e humano. O estalo poético veio ao propor que a luta pelos direitos das mulheres não deve ser travada em isolamento, mas sim como um chamado coletivo que convoca os homens a saírem da passividade. Ao cantar o sangue que o progresso do mundo ocultou e o medo que ainda tenta cortar os passos femininos, a música usa a energia agregadora do samba para construir uma ponte. O refrão é um convite para que o grito outrora sufocado vire um canto de libertação e de convocação geral: um chamado para caminhar passo a passo, lado a lado, erguendo um novo chão onde a empatia seja a lei real e a opressão não imponha mais a vergonha.

Séculos de vozes sufocadas

De viver na falsidade

A base de toda essa estrutura

Negando a nossa identidade


O lucro e o progresso do mundo

Têm nosso sangue em cada fundamento

Fomos a força nunca nomeada

Enquanto a história nos deixava ao relento


A mordaça de ontem não sumiu

Virou o medo que nos corta o passo

Os números não param de crescer

No rastro de sangue e do descompasso


A violência é um plano de controle

Que invade o lar e fere a dignidade

Não é só o grito que não se ouve

É o fim brutal da nossa integridade


Grito pelo grito não gritado,

Pela dor ainda doída,

Pela ausência da fala da mulher.

E no rastro desse cordão

Vem pra rua nessa união:

Grita comigo!


Passo a passo, lado a lado, enfim

Construiremos o que o peito sonha

Uma sociedade justa e de paz

Sem que a opressão nos imponha a vergonha


Um chão que acolha a todas

Onde a empatia seja a lei real

Que a causa feminina seja o eixo

De um novo mundo, livre e igual


Grito pelo grito não gritado,

Pela dor ainda doída,

Pela ausência da fala da mulher.

E no rastro desse cordão

Vem pra rua nessa união:

Grita comigo!