Grita Mulher
Um manifesto em forma de samba que resgata a trajetória histórica de silenciamento e violência contra as mulheres para, em seguida, clamar por um pacto coletivo de transformação. Embalada pelo calor e pela comunhão de uma legítima roda de samba de quintal, a faixa convida toda a sociedade a se unir em um único cordão, transformando o grito sufocado de ontem em uma construção conjunta de justiça, igualdade e paz.
Séculos de vozes sufocadas
De viver na falsidade
A base de toda essa estrutura
Negando a nossa identidade
O lucro e o progresso do mundo
Têm nosso sangue em cada fundamento
Fomos a força nunca nomeada
Enquanto a história nos deixava ao relento
A mordaça de ontem não sumiu
Virou o medo que nos corta o passo
Os números não param de crescer
No rastro de sangue e do descompasso
A violência é um plano de controle
Que invade o lar e fere a dignidade
Não é só o grito que não se ouve
É o fim brutal da nossa integridade
Grito pelo grito não gritado,
Pela dor ainda doída,
Pela ausência da fala da mulher.
E no rastro desse cordão
Vem pra rua nessa união:
Grita comigo!
Passo a passo, lado a lado, enfim
Construiremos o que o peito sonha
Uma sociedade justa e de paz
Sem que a opressão nos imponha a vergonha
Um chão que acolha a todas
Onde a empatia seja a lei real
Que a causa feminina seja o eixo
De um novo mundo, livre e igual
Grito pelo grito não gritado,
Pela dor ainda doída,
Pela ausência da fala da mulher.
E no rastro desse cordão
Vem pra rua nessa união:
Grita comigo!


