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A Seta

Uma jornada de autocrítica espiritual em tom de modão sertanejo. A faixa reflete sobre as fragilidades e vaidades humanas diante do conhecimento divino, expondo como a humanidade transformou grandes mestres — que eram setas indicando o caminho — em objetos de adoração estéril. Uma provocação sobre como distorcemos mensagens de libertação para massagear nossos próprios egos e manter aparências ou controle social.

Bastidores: "A Seta" nasceu do impacto de uma palestra ministrada por Franklin Moreira, presidente da Fraternidade Espírita Irmãos de Cascais (FEIC), no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele fez uma provocação cirúrgica: Jesus veio como uma seta apontando a direção do amor, da evolução e do autoconhecimento; a humanidade, contudo, apegada ao fanatismo e à aparência, preferiu idolatrar a seta e erguer altares para ela, em vez de caminhar para onde ela apontava. A partir dessa reflexão, percebi que essa é uma ferida universal: diversas tradições e religiões também se distanciaram de sua missão principal, que é ajudar o ser humano a reconhecer o Divino que habita dentro de cada um de nós.

Depois daquele fim de tarde
Minha noite não teve mais fim
Falei que te conhecia em verdade
Desenhei seu rosto só pra mim

Busquei valor no meu falso brio
E com você cruzava qualquer rio
Fui dourando egos vagabundos 
No papel seu rosto virou um rascunho

Ainda falo de ti sem o seu calor
Não consigo mais acolher a dor
Se perguntarem onde esteve
O que é que vou dizer pra eles?

Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho 
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender 
Botei na Sua boca o que eu quis dizer

Todos queriam te conhecer
Vieram os donos da verdade 
Traduziram mal o que quis dizer
Contrariar era falta grave

Sem contestar aceitei atalho 
Que depois virou o meu caminho
Você só me vinha em ato falho
Me acolhendo para seu ninho

Pois o Divino mora no privado
Cada qual é por ele tocado 
Se em público impõem sua presença
Já não é mais aquela referência 

Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho 
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender 
Botei na Sua boca o que eu quis dizer

Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho 
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender 
Botei na Sua boca o que eu quis dizer