Olhar da Medusa
Um manifesto poético sobre a petrificação do afeto na era digital. A faixa traça um paralelo cirúrgico entre a tela do celular e dois mitos gregos: ela funciona como o "canto das sereias", que nos atrai por suas facilidades e algoritmos, e como o "olhar da Medusa", que nos paralisa e nos endurece para as interações físicas. Uma crônica forte sobre como as redes sociais, alimentadas pelo discurso bélico, pelo ódio e pelo grotesco, nos tornam incapazes de dialogar e vulneráveis à manipulação.
Choro por mortos que ainda respiram,
Amigos, parentes que nas telas piram!
Nós dois tínhamos um norte leal,
Torceram o ponteiro, nada é real.
As redes sem nenhum compromisso,
Me castra e nega tudo que cismo.
Quer escolher quem comigo anda!
Impõe ideias até guerras santas!
É ela que ganha com nossos fracassos,
Vê nossos sonhos, nos segue os passos.
Bota entre nós um muro alto!
Você ou eu, quem é o incauto?
Quem bate palmas pras nossas brigas?
Quem, de verdade, com isso lucra?
Um fala, o outro fala junto,
Já não sei qual é o assunto.
Éramos pontes, agora só muros,
Nos tornamos tagarelas surdos!
Não vê que dentro desse jogo,
Usam álcool pra apagar fogo!
Notícias chegam sob medida,
Vendem certezas em mel de mentira,
Mais com atenção o produto desnuda,
É o Canto da sereia, olhar da Medusa!
É ela que ganha com nossos fracassos,
Vê nossos sonhos, nos segue os passos.
Bota entre nós um muro alto!
Você ou eu, quem é o incauto?
Quem bate palmas pras nossas brigas?
Quem, de verdade, com isso lucra?
Um fala, o outro fala junto,
Já não sei qual é o assunto.
Éramos pontes, agora só muros,
Nos tornamos tagarelas surdos!
Não vê que dentro desse jogo,
Usam álcool pra apagar fogo!
Com atenção o produto desnuda...
É o canto da sereia com olhar da Medusa.


