No Hiato
Um mergulho profundo e lírico na paralisia da escolha. A faixa investiga o exato instante de suspensão em que o ser humano se depara com encruzilhadas vitais, equilibrando-se no espaço incerto entre a razão geométrica e a intuição frágil, revelando que a nossa verdadeira essência frequentemente habita o silêncio do hiato que antecede a decisão.
Num cálculo meço a distância da queda,
Um susto, um sopro de paralisia.
A mente se perde, a vontade se veda,
No que o coração ou razão decidia.
O alvo se mexe no centro de tudo,
O braço procura uma fresta, uma brecha.
Hesita o desejo atrás do muro,
Se estico a mão, que destino se fecha?
No sono o pensamento me invade,
Do que eu posso e não quero fazer.
Que devo e enrolo por vaidade,
Desejo o que tenho receio de ter.
A essência de mim no hiato
Se apoia entre o medo e a hesitação
Não passa da medida de um fiapo
Da certeza que não tenho da intuição
A lógica bate na porta aberta,
Ébria de álcool que desassossego.
Aponta um raso que a mente oferta,
Mas no hiato o alerta eu não nego.
No meio da apnéia forçada,
Por uma fração de segundo,
O mapa se faz na estrada,
Salvando a vida do moribundo.
A essência de mim no hiato
Se apoia entre o medo e a hesitação
Não passa da medida de um fiapo
Da certeza que não tenho da intuição


