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Morada do Bosque

Uma celebração acústica e terna da vida cotidiana no refúgio que dá nome à faixa. Através de um inventário poético da fauna e da flora que habitam o quintal, a música se desenha como uma oração de gratidão e um manifesto de paz interior, lembrando-nos de desacelerar para enxergar a riqueza sagrada que reside nas coisas mais simples da existência.

Bastidores: "Morada do Bosque" nasceu de um profundo e necessário exercício de lucidez espiritual: a prática da gratidão. Muitas vezes, engolidos pelas dificuldades diárias ou pela velocidade do mundo moderno, perdemos a capacidade de contemplar e valorizar aquilo que nos cerca. Esta música surge como uma pausa respiratória, uma meditação cantada sobre a beleza do convívio diário com a natureza.

Meus olhos acordam na colina
Da preguiça pra doce sina
Sinto o sopro que anuncia,
E assim começa o dia.

Café com leite, pão com manteiga
Olho pra varanda que beleza
Captando tudo pelos sentidos,
A festa de todos os ruídos.

Sabiá, sanhaço e bem-te-vi,
Cambaxirra, pombas e colibri.
Maritacas, sebinho e jacús,
Canários, tucanos e anús.
Coruja, japu e o cardeal,
Cantam a vida nesse meu quintal.

O dia entra na varanda,
Desperto nessa lembrança.
A energia se irradia,
É sempre uma alegria.
Com o cheiro que me invade...
No presente já sinto saudade.

Aqui a paz é uma semente.
Tempo de sol com chuva.
Penso espalhar como corrente.
Sinto cheiro maduro de fruta.

Pitanga, amora e o araçá,
Abacate, cupuaçu, cajá.
Goiaba, jaca e a tangerina,
Tamarino, figo e a manga fina.
Cidreira, hibisco e a acerola,
Caju, o cacau e gabiroba.

O dia entra na varanda,
Desperto nessa lembrança.
A energia se irradia,
É sempre uma alegria.
Com o cheiro que me invade...
No presente já sinto saudade.

Nesse elo que a vida compõe,
E sentindo o ar desse quintal,
É o próprio ser que se descobre,
Essa é a Morada do Bosque.

Pessoas se perdem em desdém,
Por não enxergar aquilo que tem.
Países sofrem com guerras,
Em eternos lutos e trevas.
A paz parece um sonho em vão...
Mas estando aqui... como não?