A Seta
Uma jornada de autocrítica espiritual em tom de modão sertanejo. A faixa reflete sobre as fragilidades e vaidades humanas diante do conhecimento divino, expondo como a humanidade transformou grandes mestres — que eram setas indicando o caminho — em objetos de adoração estéril. Uma provocação sobre como distorcemos mensagens de libertação para massagear nossos próprios egos e manter aparências ou controle social.
Depois daquele fim de tarde
Minha noite não teve mais fim
Falei que te conhecia em verdade
Desenhei seu rosto só pra mim
Busquei valor no meu falso brio
E com você cruzava qualquer rio
Fui dourando egos vagabundos
No papel seu rosto virou um rascunho
Ainda falo de ti sem o seu calor
Não consigo mais acolher a dor
Se perguntarem onde esteve
O que é que vou dizer pra eles?
Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender
Botei na Sua boca o que eu quis dizer
Todos queriam te conhecer
Vieram os donos da verdade
Traduziram mal o que quis dizer
Contrariar era falta grave
Sem contestar aceitei atalho
Que depois virou o meu caminho
Você só me vinha em ato falho
Me acolhendo para seu ninho
Pois o Divino mora no privado
Cada qual é por ele tocado
Se em público impõem sua presença
Já não é mais aquela referência
Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender
Botei na Sua boca o que eu quis dizer
Ele nunca nos deixou sozinhos
Como seta apontou o caminho
Falou mas não peguei o principal
Eu tolo tranquei a seta no pedestal
Falou comigo e eu não quis entender
Botei na Sua boca o que eu quis dizer


