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Olhar da Medusa

Um manifesto poético sobre a petrificação do afeto na era digital. A faixa traça um paralelo cirúrgico entre a tela do celular e dois mitos gregos: ela funciona como o "canto das sereias", que nos atrai por suas facilidades e algoritmos, e como o "olhar da Medusa", que nos paralisa e nos endurece para as interações físicas. Uma crônica forte sobre como as redes sociais, alimentadas pelo discurso bélico, pelo ódio e pelo grotesco, nos tornam incapazes de dialogar e vulneráveis à manipulação.

Bastidores: "Olhar da Medusa" nasceu da dolorosa observação de um fenômeno moderno: a substituição do abraço pelo clique e o soterramento do contato humano pela frieza das notificações. O estalo final para esta composição veio ao ver relacionamentos de décadas sendo desfeitos pela polarização extrema dos discursos digitais. Esta música é também o desabafo de uma ferida pessoal. Vivenciei esse processo na pele com um querido amigo de longa data. A agressividade que tomou conta das nossas conversas, alimentada pela intolerância das redes, tornou o diálogo impossível, me forçando a um afastamento doloroso apenas para preservar o carinho e o respeito que ainda nutro por ele. É uma canção de alerta e lamento, mas também um apelo para que não deixemos as telas petrificarem a nossa humanidade.

Choro por mortos que ainda respiram,

Amigos, parentes que nas telas piram!

Nós dois tínhamos um norte leal,

Torceram o ponteiro, nada é real.


As redes sem nenhum compromisso,

Me castra e nega tudo que cismo.

Quer escolher quem comigo anda!

Impõe ideias até guerras santas!


É ela que ganha com nossos fracassos,

Vê nossos sonhos, nos segue os passos.

Bota entre nós um muro alto!

Você ou eu, quem é o incauto?


Quem bate palmas pras nossas brigas?

Quem, de verdade, com isso lucra?

Um fala, o outro fala junto,

Já não sei qual é o assunto.

Éramos pontes, agora só muros,

Nos tornamos tagarelas surdos!

Não vê que dentro desse jogo,

Usam álcool pra apagar fogo!


Notícias chegam sob medida,

Vendem certezas em mel de mentira,

Mais com atenção o produto desnuda,

É o Canto da sereia, olhar da Medusa!


É ela que ganha com nossos fracassos,

Vê nossos sonhos, nos segue os passos.

Bota entre nós um muro alto!

Você ou eu, quem é o incauto?


Quem bate palmas pras nossas brigas?

Quem, de verdade, com isso lucra?

Um fala, o outro fala junto,

Já não sei qual é o assunto.

Éramos pontes, agora só muros,

Nos tornamos tagarelas surdos!

Não vê que dentro desse jogo,

Usam álcool pra apagar fogo!

Com atenção o produto desnuda...
É o canto da sereia com olhar da Medusa.