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No Hiato

Um mergulho profundo e lírico na paralisia da escolha. A faixa investiga o exato instante de suspensão em que o ser humano se depara com encruzilhadas vitais, equilibrando-se no espaço incerto entre a razão geométrica e a intuição frágil, revelando que a nossa verdadeira essência frequentemente habita o silêncio do hiato que antecede a decisão.

Bastidores: "No Hiato" nasceu da urgência de mapear o território invisível e angustiante da hesitação. O ser humano contemporâneo é constantemente bombardeado pela ilusão de que deve agir rápido e ter certezas absolutas, mas a realidade interna é feita de cálculos silenciosos sobre o impacto de nossas perdas ("que destino se fecha?"). A inspiração surgiu ao observar como a mente frequentemente autossabota suas próprias escolhas por vaidade, medo ou pelo receio paradoxal de alcançar o que deseja.

Num cálculo meço a distância da queda,
Um susto, um sopro de paralisia.
A mente se perde, a vontade se veda,
No que o coração ou razão decidia.

O alvo se mexe no centro de tudo,
O braço procura uma fresta, uma brecha.
Hesita o desejo atrás do muro,
Se estico a mão, que destino se fecha?

No sono o pensamento me invade,
Do que eu posso e não quero fazer.
Que devo e enrolo por vaidade,
Desejo o que tenho receio de ter.

A essência de mim no hiato
Se apoia entre o medo e a hesitação
Não passa da medida de um fiapo
Da certeza que não tenho da intuição

A lógica bate na porta aberta,
Ébria de álcool que desassossego.
Aponta um raso que a mente oferta,
Mas no hiato o alerta eu não nego.

No meio da apnéia forçada,
Por uma fração de segundo,
O mapa se faz na estrada,
Salvando a vida do moribundo.

A essência de mim no hiato
Se apoia entre o medo e a hesitação
Não passa da medida de um fiapo
Da certeza que não tenho da intuição