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Geraldo sem noção

Uma sátira urbana e contagiante sobre a total falta de bom senso e coletividade. Através do personagem Geraldo — que ocupa várias vagas de estacionamento, liga o som no talo, berra no viva-voz do banco e se sente acima de qualquer lei —, a faixa critica com muito humor o individualismo moderno, celebrando a tão esperada "justiça poética" quando a multa finalmente chega.

Bastidores: "Geraldo Sem Noção" nasceu de um verdadeiro teste de paciência no trânsito real. A inspiração veio de uma cena inacreditável presenciada pelo compositor no estacionamento de um supermercado: um motorista, sem o menor pudor, simplesmente estacionou seu veículo ocupando quatro vagas de uma só vez. Essa experiência ultrajante e cômica funcionou como o estalo poético para criar o "Geraldo", a personificação de todos os abusos diários que enfrentamos nas cidades. Seja o vizinho que liga o som de "paredão" incomodando o prédio inteiro, o sujeito sem educação que berra segredos da vida pessoal no viva-voz da fila do banco, ou o clássico espertinho do "é só um minutinho". A música usa o humor refinado e a ironia para lavar a alma do cidadão que respeita as regras, transformando a irritação do cotidiano em um refrão leve, divertido e extremamente necessário.

Trânsito parado, buzinaço e Geraldo gritando:

“Calma, chefia! É rapidinho, vou só ali na padaria!”


Lá vem o tal do Geraldo,

O dono da área inteira.

O carro ocupa duas vagas,

Parado no meio da feira.


Ignora a placa e o sinal,

Pois sua lei é o seu querer.

Tranca a guia e o bueiro,

Não tá nem aí pra você.


Geraldo é sem noção e sem freio!

Tem duas vagas? Para no meio!

O som no talo, o grave de aço,

Geraldo é o dono do espaço!


“É um minutinho!”, ele berra,

Enquanto o trânsito travou.

Acha que a rua é seu quintal,

E ele está te fazendo um favor


O porta-malas já abre,

O “paredão” vira o rei.

O som sacode o prédio todo,

Ele se sente acima da lei.


Geraldo é sem noção e sem freio!

Tem duas vagas? Para no meio!

O som no talo, o grave de aço,

Geraldo é o dono do espaço!


No banco o cara é sem noção,

O viva-voz é pra geral,

Sem filtro e sem educação,

E ele acha isso normal.


Fala da ex, fala do afilhado,

Berra pro povo escutar.

Se alguém olha invocado,

Ele já começa a reclamar.


Mas chega o guarda e a caneta,

Geraldo faz o dramalhão:

“Vão prender os bandidos, pô!

Para com essa perseguição!”


Geraldo é sem noção e sem freio!

Tem duas vagas? Para no meio!

O som no talo, o grave de aço,

Geraldo é o dono do espaço!


Lá vai o Geraldo trancando a rua...

“Acabou o sermão!

Essa multa é sua!”

Geraldo resmunga:

“Mundo tá chato, mermão!”