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As Duas Asas

Uma suíte de rock progressivo que confronta o ápice do desespero tecnológico e geopolítico da humanidade com a necessidade urgente de evolução interior. Inspirada pela iminência do perigo nuclear e baseada na metáfora filosófica das "duas asas" (o Saber e o Bem-Querer), a faixa viaja da pequenez do átomo à imensidão sideral, clamando para que a razão e o afeto caminhem juntos antes que o "botão" do fim do mundo seja acionado.

Bastidores: "As Duas Asas" foi moldada sob o impacto aterrador das tensões geopolíticas globais, especificamente diante dos desdobramentos dos ataques envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, e os temores reais do uso de armamentos nucleares para forçar o fim do conflito com o país persa. O paradoxo de uma civilização capaz de criar a tecnologia do próprio extermínio fez surgir, de forma assustadora na mente do compositor, a espinha dorsal da música: "Nós criamos o botão... Mas quem vai apertar não!". Para responder a esse cenário de gelo e fogo, buscou-se amparo na sabedoria filosófica trazida por Chico Xavier sobre a evolução do espírito humano, que necessita de duas asas para se elevar: a do Conhecimento (a ciência, a razão, o saber) e a do Amor (a fé, a ética, o bem-querer). O Rock Progressivo foi escolhido justamente por sua capacidade de traduzir em texturas musicais essa transição complexa: o peso das máquinas de silício e do "homem boçal" que se esconde atrás do ter, contrastando com a beleza luminosa e libertadora de uma aurora espiritual. É um convito urgente para sair da inércia, abrir as duas asas e voar além do horizonte.

Do espaço a Terra
É um corpo singelo.
A lente não vê, erra,
O Ser, o profundo elo.

Criam máquinas do silício...
Abortam ventres universais...
Usam aço, a força do início...
Pra resolver crises atuais.

A luta do início virou capital,
O Ser esquecido no tempo.
Do medo nasce o boçal,
O Ter é escudo da guerra mortal.

Como gelo no fogo
Acabou o engôdo.
O espelho da ilusão
Está quebrado no chão.
É ruim acordar agora,
Mas olhem para a aurora.

Do pequeno átomo
A nossa pequenez sideral.
Não conhece o cálculo,
Que descubra o mal.

Uma guerra interna.
Duas asas encena.
O poder do saber,
E o do bem-querer.

Mente voa, caráter caminha
É
 hora de sair da “casinha”.
Nós criamos o botão...
Mas quem vai apertar não!

Como gelo no fogo
Acabou o engôdo.
O espelho da ilusão
Está quebrado no chão.
É ruim acordar agora,
Mas olhem para a aurora.

Assistimos de braços cruzados,
Manuscritos televisionados.
Onde o Sagrado é capataz,
A paz já não satisfaz.

Abra as asas... as duas,
Bem querer e saber... nas ruas.
Beba da nova fonte,
Voe além do horizonte.